No dia 14 de julho de 2016 teve lugar um atentado terrorista no Passeio dos Ingleses, em Nice. Um camião teve como alvo uma multidão de civis, causando a morte de 86 pessoas e provocando 458 feridos.
Há muito que Nice era a cidade mais vigiada de França porque é possível acontecerem sismos naquela região. Mas quem pensaria em reforçar a vigilância por causa de um possível atentado?
As pessoas que conviviam de perto com cada um dos que morreram entraram num grau de sofrimento indescritível, ao ponto de sentirem ódio perante tamanha injustiça. Um padre de Nice, a quem uma pessoa que perdeu um ente querido pediu assistência, disse-lhe: «O ódio, o desejo de vingança fazendo mal aos outros, é como cercar-se de arame farpado que cada vez se fecha mais sobre nós próprios; e nós seremos os primeiros a sofrermos, a ficarmos feridos por esse arame farpado.»
É legítimo sentirmos uma grande necessidade de que se faça justiça, mas nem o ódio, nem a vingança poderão apagar a injustiça sofrida.
Sem querermos dar sugestões padronizadas, eis aqui alguns conselhos: falar com Deus sobre aquilo que nos perturba, dizer-lhe tudo o que nos causa desgosto é primordial. Estarmos convencidos de que ele nos compreende e nos ajudará é outra condição. Depois, apesar das nossas feridas, comprometermo-nos a seguir pelo caminho do amor, de serviço a Deus e ao próximo, incluindo aos nossos inimigos, indo buscar forças numa relação profunda com o Deus de amor, de graça, de perdão. Com este Salvador que também perdoa todas as nossas injustiças.
• Deus deseja que tu saibas que Ele Ama-te. • E tu, queres amá-lo? • Ele está à espera da tua resposta pessoal. • Aqui encontrarás algumas reflexões e textos bíblicos sobre o assunto.
Sables d’Olonne, em França, é a cidade de partida e chegada do «Globo Vendée», a volta ao mundo em veleiro, com navegador solitário e sem escala. Para assinalar esta competição extraordinária, a cidade criou um «Passeio da fama», à semelhança daquele que em Hollywood consagra nomes do cinema. Todos os quatro anos, o vencedor da corrida tem direito a que seja colocada no «Passeio da fama» uma placa de bronze com as suas impressões digitais. E assim ficam a fazer parte deste memorial através das marcas das suas mãos.
A mão é um símbolo; uma mão grande sugere uma pessoa forte, enquanto que a mão pequena de uma criança evoca a sua fragilidade, a necessidade de ajuda.
A Bíblia fala muito da mão poderosa de Deus. Deus não tem uma mão física, mas ele é amor; é todo-poderoso, benevolente, capaz de intervir em qualquer circunstância para socorrer todo aquele que a ele recorre. Ele dá-nos a mão como um pai, para nos conduzir no caminho da vida. Repreende-nos quando é necessário e coloca-nos na rota certa. Todo aquele que está nas mãos de Deus encontra-se em segurança. O rei David escreveu num dos Salmos:
«…a minha confiança está em ti, Senhor, e eu proclamo que tu és o meu Deus! Todos os momentos da minha vida estão nas tuas mãos.»
Salmo 31:15-16
Se eu confiar em Deus, então sim, o meu futuro estará cheio de promessas de paz e de felicidade. Porque ninguém nos pode arrancar da mão de Deus.
Há nos Estados Unidos um departamento que estuda os furacões. O facto de se compreender como eles se formam e evoluem permite prevenir as pessoas a tempo de se evitar o pior. Mas como se estudam os furacões, se os satélites não podem captar imagens através das nuvens e da chuva?
Para isso, os cientistas utilizam aviões blindados, equipados convenientemente, que penetram no núcleo dos furacões para os estudarem, e daí podem resultar numerosas medidas muito eficazes.
Por vezes há tempestades nas nossas vidas que são verdadeiros furacões para os nossos corações. E ninguém poderá verdadeiramente ajudar-nos; médicos e psicólogos fazem o seu melhor para nos auxiliarem, mas têm limites, porque no nosso íntimo há zonas inatingíveis. Nem nós conseguimos penetrar eficazmente nos sentimentos do nosso coração, para podermos ir ao encontro daquilo que somos na realidade.
Deus pode entrar no núcleo das tempestades que agitam as nossas vidas e ajudar-nos a compreender as causas dessas tempestades, o seu desenvolvimento, de modo a que possamos preveni-las. A Bíblia afirma que Deus disse:
«Eu não julgo pelas aparências como vós julgais. Julgo pelo coração.»
1 Samuel 16:7
Vamos pedir-lhe que nos ajude a conhecermo-nos verdadeiramente. Como o seu Espírito habita naqueles que creem que Jesus Cristo é o Salvador, esse espírito vai ajudar-nos a ir ao encontro de nós mesmos, a compreendermo-nos, a sairmos das tempestades que agitam o nosso coração e a prepararmo-nos sempre que um novo furacão surge no horizonte.
O autor cristão Philippe Decourroux escreveu um livro autobiográfico muito interessante: «Estas palavras que me metiam medo».
Ele diz que «A Bíblia não é um livro para se ler, mas para se viver». Podemos acrescentar: A Bíblia não é SÓ um livro para se ler, mas um livro para se viver. A única maneira de ser cristão é viver aquilo que se lê.
Ser cristão não é ter a cabeça cheia de conhecimentos sobre Deus, sobre a fé, a oração, o amor e o perdão; é ser animado pela vida de Deus, conduzido por ele; é escutar Deus de tal forma que a nossa fé seja alimentada e viva; é orar não por aquilo que queremos, mas por aquilo que Deus quer, como tão bem ensina o «Pai nosso». Ser cristão é amar Deus como Deus nos ama; é perdoar como Deus nos perdoa, as vezes necessárias, tal como Jesus ensinou o apóstolo Pedro, dizendo-lhe para perdoar 70 vezes 7 ao seu irmão que pecou contra ele.
Mas então, dirá o leitor, ser cristão é muito stressante, é impossível viver assim.
Não, porque ser cristão é viver autenticamente, contando com a ajuda de Deus que nos ama, conhecer a nossa fragilidade, os nossos limites. Sem nos repreender, Deus abençoa-nos, perdoa-nos, levanta-nos vezes sem conta quando tropeçamos durante este caminho de autenticidade. Importante é caminhar com Deus.
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